Uma operação da Polícia Federal em Guarulhos revelou um esquema alarmante de tráfico de drogas dentro do aeroporto mais movimentado do Brasil. A situação chegou ao auge com a prisão de um funcionário que, na tentativa de escapar, se escondeu no telhado do terminal, portando 33 quilos de cocaína. Essa abordagem, no entanto, é apenas a ponta do iceberg em um problema mais profundo que envolve a colaboração de diversos trabalhadores do aeroporto com organizações criminosas.
De acordo com as investigações, esses grupos têm se infiltrado no aeroporto, recrutando funcionários de setores variados, como limpeza e transporte, para facilitar a movimentação de drogas de maneira discreta. O delegado Ivo Silva, responsável pela investigação, explica que essa estratégia permite que a cocaína chegue aos aviões sem levantar suspeitas, com os criminosos aproveitando o acesso que esses trabalhadores têm a áreas restritas.
A dinâmica do tráfico se desenrola em caminhos que passam despercebidos pelos passageiros. Um exemplo notório ocorreu quando um funcionário, ao colocar malas em um contêiner que iria para Lisboa, chegou a registrar a carga antes de ser abordado pelas autoridades. As imagens de segurança do aeroporto revelaram métodos variados utilizados para a entrada das drogas, como o transporte em veículos de serviço e a troca de pacotes em vestiários sem vigilância.
Outro ponto preocupante é o chamado “tráfico reverso”, onde substâncias são enviadas ao Brasil a partir de locais como Europa e Ásia. Um caso emblemático foi o de Gabriele Amador Silva, que teve sua mala extraviada e devolvida com drogas, resultando em uma intimação policial inesperada. Esse tipo de crime tem se tornado frequente, com a Polícia Federal registrando quase cinco toneladas de drogas apreendidas em Guarulhos apenas em 2026, um recorde histórico para o aeroporto.
A situação levanta questões sobre a segurança no aeroporto. Em resposta, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) está avaliando novos investimentos para reforçar a vigilância. A concessionária GRU Airport também afirma que está comprometida em melhorar a segurança em colaboração com as autoridades. Enquanto isso, o delegado da PF enfatiza a necessidade de não apenas reprimir, mas também prevenir esse tipo de crime, buscando desmantelar as organizações criminosas que operam nos bastidores do aeroporto.
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