A cidade de São Paulo está em meio a uma polêmica que envolve contratos milionários da prefeitura com a agência MM Quarter, que era, até recentemente, considerada uma fornecedora de serviços essenciais, como guias turísticos bilíngues para o Carnaval de rua. A investigação, que ganhou força após reportagens do portal Metrópoles, revelou que Rodolfo Marinho, ex-secretário-adjunto de Turismo, é apontado como sócio oculto da empresa.
Um relatório do Tribunal de Contas do Município (TCM) trouxe à tona indícios de fraude e favorecimento em licitações, além de denúncias de sobrepreço. Entre 2022 e março de 2026, a prefeitura repassou impressionantes R$ 101,4 milhões para a MM Quarter, com a maior parte desse valor vindo da São Paulo Turismo (SPTuris), que é uma empresa municipal de eventos. A falta de transparência em relação aos valores efetivamente pagos à empresa chamou a atenção dos auditores, que já haviam identificado um total de 24 contratos, somando R$ 239 milhões.
A relação entre Marinho e a proprietária da MM Quarter, Nathalia Carolina da Silva Souza, levanta questões sobre conflito de interesses. Antes da mudança de nome e foco da empresa, que passou a atuar na organização de eventos, Marinho e Nathalia foram sócios em outras iniciativas, o que complicou ainda mais a situação. A procuração que dava a Marinho amplos poderes na MM Quarter foi um dos fatores que resultaram na sua exoneração pelo prefeito Ricardo Nunes.
O TCM analisou contratos que totalizam R$ 54,9 milhões e encontrou irregularidades significativas nas decisões de licitação, favorecendo a MM Quarter em detrimento de propostas mais vantajosas de concorrentes. Em um dos casos, a empresa foi declarada vencedora mesmo apresentando documentação incompleta. Além disso, a auditoria apontou gastos excessivos na compra de água mineral, que ultrapassaram os limites estabelecidos, gerando um impacto financeiro que pode chegar a R$ 25 milhões.
A Controladoria Geral do Município (CGM) já havia suspenso novas contratações com a MM Quarter, e a auditoria do TCM está em andamento para verificar as possíveis irregularidades na atuação da empresa e dos agentes públicos envolvidos. A prefeitura informou que não possui mais contratos ativos com a agência e que está tomando as medidas necessárias para esclarecer a situação.
Por sua vez, Rodolfo Marinho se manifestou, assegurando que está disposto a prestar todos os esclarecimentos ao TCM e que sua conduta na secretaria foi regular. A MM Quarter também se pronunciou, afirmando que está colaborando com as investigações e que todos os seus contratos foram realizados dentro das normas legais.
O cenário é preocupante e exige uma atenção especial da população, que precisa acompanhar de perto o desdobramento desse caso que pode ter implicações sérias na gestão pública da capital paulista.



