A situação de Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, se tornou ainda mais complicada após sua transferência para o Centro de Detenção Provisória de Guarulhos, na manhã de terça-feira (20). A mudança ocorre em meio a uma investigação que questiona a concessão de regalias durante sua estadia na unidade prisional de Mogi das Cruzes, onde esteve desde 18 de setembro.
Recentemente, cinco funcionários da Polícia Civil, incluindo delegados e o diretor da cadeia, foram afastados de suas funções por suspeitas de que teriam proporcionado vantagens indevidas a Leite enquanto ele estava preso. Esses afastamentos acontecem apenas dias após a Justiça prorrogar a prisão temporária do ex-vereador por mais 30 dias, dentro da Operação Vectura Corrupta, que investiga a infiltração do PCC no transporte público da capital.
Milton Leite é acusado de estar diretamente ligado a operações de empresas controladas pelo PCC, além de ser apontado como o proprietário da Transwolff. O ex-vereador se entregou à polícia em Mogi das Cruzes e, em sua defesa, afirmou ser inocente das acusações que pesam sobre ele, garantindo que está confiante na justiça.
A investigação da Corregedoria da Polícia Civil busca esclarecer as condições que permitiram possíveis irregularidades na unidade prisional, como a presença de políticos e visitantes não autorizados. A delegada Margarette Barreto, uma das afastadas, alegou que as visitas eram autorizadas, mas suas explicações não convenceram a cúpula da Polícia Civil, que considera que ela falhou ao não comunicar as visitas de figuras públicas a Leite.
Durante uma operação do Ministério Público, foram encontrados R$ 155 mil e US$ 10 mil em posse de um carcereiro, que agora é investigado por facilitar essas regalias. A defesa de Milton Leite, por sua vez, refutou qualquer ideia de tratamento especial, afirmando que o ex-vereador nunca recebeu vantagens na prisão e se colocou à disposição para colaborar com as investigações.
As repercussões desse caso não se limitam a Milton Leite, mas levantam questões mais amplas sobre o sistema prisional e a possibilidade de corrupção que pode estar enraizada nas instituições responsáveis pela custódia de presos. A população de São Paulo acompanha atentamente o desenrolar dessa situação que envolve tanto um ex-líder político quanto estruturas de poder da segurança pública.



