O caso que chocou a Zona Leste de São Paulo está prestes a ganhar novos desdobramentos. Na manhã desta quarta-feira (28), Marcus Vinicius Machado Rocha, amigo do empresário Fernando Sastre, afirmou durante o júri que Fernando havia consumido álcool antes de assumir o volante do Porsche que se envolveu em um acidente fatal. O incidente, que ocorreu na madrugada do dia 31 de março de 2024, resultou na morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos.
Segundo Marcus, que também era passageiro do veículo, Fernando estava “alterado” e não se recorda exatamente da quantidade de bebida que o amigo havia ingerido. Ele relatou que, momentos antes da colisão, Fernando saiu lentamente de uma vaga, mas logo acelerou, e a partir desse ponto não consegue lembrar mais nada do ocorrido. Marcus, que sofreu fraturas em quatro costelas e passou por cirurgia, disse que não mantém mais contato com Fernando ou com os amigos em comum. “É triste, mas a Justiça precisa ser feita”, afirmou.
O advogado de Fernando, Jonas Marzagão, defende que a acusação de homicídio culposo deve ser considerada, pois não há intenção de matar. A expectativa é que os jurados analisem o caso com atenção e reclassifiquem a acusação. O Ministério Público sustenta que Fernando dirigia em alta velocidade — cerca de 136 km/h em uma via onde o limite é de 50 km/h — e sob efeito de álcool, apresentando um laudo que sustenta suas alegações. A pena pedida para Fernando pode ultrapassar os 20 anos de prisão, caso seja condenado.
O acidente, que foi registrado por câmeras de segurança, deixou Ornaldo gravemente ferido. Ele foi socorrido e levado ao Hospital Municipal do Tatuapé, mas não sobreviveu. O filho da vítima, Luam Silva, expressou seu descontentamento nas redes sociais, clamando por justiça e revelando a dor da perda de seu pai.
Após o acidente, Fernando deixou o local, mas se apresentou à polícia no dia seguinte e está preso preventivamente desde 6 de maio de 2024. Marzagão argumenta que, em casos semelhantes, os réus costumam responder em liberdade, e defende que seu cliente não fugiu e não se negou a prestar socorro, já que outras pessoas teriam solicitado ajuda.
A sessão do júri, que está acontecendo no Fórum Criminal da Barra Funda, deve se estender por dois dias e contará com o depoimento de 14 testemunhas antes do interrogatório do réu. A comunidade aguarda ansiosamente por um desfecho que possa trazer alguma forma de justiça para a tragédia que abalou a todos.



