quarta-feira, 21/10/2026

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Aumento de 75% nos furtos de hidrômetros em SP preocupa; Sabesp relaciona crimes ao uso de drogas

Os furtos de hidrômetros aumentaram de forma alarmante em São Paulo neste ano, com um total de 23.724 equipamentos roubados apenas no primeiro semestre de 2026. Isso representa uma média de 131 hidrômetros levados…

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Os furtos de hidrômetros aumentaram de forma alarmante em São Paulo neste ano, com um total de 23.724 equipamentos roubados apenas no primeiro semestre de 2026. Isso representa uma média de 131 hidrômetros levados diariamente, um aumento expressivo de 74,7% em comparação ao mesmo período do ano passado. Na capital, a situação é ainda mais crítica, com os casos saltando de 6.447 para 10.206, um crescimento de 58,3%.

Esses medidores, essenciais para calcular o consumo de água em residências e comércios, são frequentemente alvo de ladrões devido ao seu material, em sua maioria latão, que contém cobre e zinco. A alta nos furtos está diretamente ligada à valorização desses metais no mercado internacional, com o cobre atingindo recordes. A cotação atual na Bolsa de Metais de Londres é de aproximadamente US$ 14,751 por tonelada, o que tem atraído cada vez mais os criminosos.

Luiz Renato Fraga Rios, diretor de proteção da receita da Sabesp, explica que muitos dos autores desses furtos são pessoas em situação de vulnerabilidade, que vendem os hidrômetros para sustentar o vício em drogas. Após serem roubados, os aparelhos geralmente são revendidos em ferros-velhos, onde são processados e reintroduzidos no mercado.

O problema é alarmante, afetando 180 dos 376 municípios atendidos pela Sabesp. Além da capital, cidades como Guarulhos, Osasco e Santo André também registraram altos números de furtos. Barueri e São Bernardo do Campo, por exemplo, apresentaram aumentos alarmantes nas ocorrências.

Com a privatização da Sabesp em 2024, a empresa, que fornece água para cerca de 30 milhões de pessoas, está agora buscando soluções para mitigar esse problema. A companhia planeja substituir 4 milhões de hidrômetros convencionais por modelos inteligentes feitos de plástico, que não têm valor de revenda, e que também possuem tecnologia de rastreamento. Essa troca já começou em São José dos Campos e deve se estender até 2029 na capital.

O custo para a Sabesp repor cada equipamento furtado gira em torno de R$ 100, resultando em um prejuízo de quase R$ 2 milhões somente no primeiro semestre deste ano. Rios destaca que esse prejuízo não afeta apenas a empresa, mas toda a sociedade, já que os furtos frequentemente resultam em grandes vazamentos de água.

A companhia tem um prazo de 48 horas para substituir um hidrômetro furtado, sem custo para o cliente que registrar boletim de ocorrência. Enquanto isso, a conta de água é calculada com base na média de consumo anterior. Para combater essa onda de furtos, a Sabesp mantém contato com as forças de segurança e incentiva a população a relatar movimentações suspeitas e fornecer imagens de câmeras de segurança.

A Secretaria da Segurança Pública, embora não tenha esclarecido especificamente as razões para o aumento, informou que as polícias estão atuando de forma integrada no combate aos crimes patrimoniais. Recentemente, ações em ferros-velhos clandestinos resultaram na apreensão de materiais e prisões de suspeitos envolvidos nesse tipo de crime.

Enquanto isso, o governo paulista anunciou que, em geral, os números de furtos e roubos têm apresentado queda, com um grande número de infratores sendo detidos. Contudo, os furtos de hidrômetros continuam a ser um desafio significativo, exigindo uma resposta coordenada e eficaz.

Crédito da imagem: Foto: Pixabay — Evilowl (pixabay)