A tragédia que abalou a Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo, ocorreu apenas nove dias após Rosa Fidelis Gaspar celebrar seu 47º aniversário. A mulher, que já havia enfrentado um deslizamento de terra há oito anos, não teve a mesma sorte desta vez e perdeu a vida durante um forte temporal que atingiu a cidade na quarta-feira, 14 de outubro.
Rosa era uma figura querida na comunidade e, segundo seu filho, Luiz da Paz Pereira Santos Neto, ela havia conseguido escapar de uma situação similar anos atrás, salvando seus netos. “Ela ouviu um barulho forte e saiu com as crianças. Quando chegou à porta, a terra desabou em cima da casa. Foi um livramento”, recorda Luiz, ainda chocado com a perda.
Desta vez, no entanto, a casa onde Rosa morava, localizada na Rua Santa Cruz do Monte Castelo, não resistiu à força do deslizamento. Com um joelho machucado, ela não conseguiu escapar a tempo. Seu marido, que estava nas proximidades, chegou a vê-la sendo resgatada por vizinhos, mas os esforços dos bombeiros foram em vão.
Rosa deixa três filhos e quatro netos, incluindo uma criança de apenas 1 ano e meio. Sua filha, Ritiene Fidelis, descreveu-a como uma mulher guerreira e fundamental para a família. “Ela era tudo para nós, uma mãe, amiga, sempre disposta a ajudar quem precisasse”, afirmou, lamentando a falta de recursos que impediu a família de deixar a área de risco.
A residência de Rosa estava em uma região que a Prefeitura de São Paulo classifica como de risco geológico há anos. A administração municipal não se manifestou sobre as medidas tomadas na área até o fechamento desta matéria. Infelizmente, a morte de Rosa foi uma das cinco vítimas fatais provocadas pelas chuvas na capital paulista em 2023.
A tempestade, que durou cerca de uma hora e meia, trouxe destruição por toda a cidade, alagando ruas e causando o colapso de árvores e estruturas. No Centro, o túnel do Anhangabaú ficou submerso, com carros e ônibus totalmente alagados, enquanto a Avenida 23 de Maio também enfrentou problemas de inundação.
Com a força da chuva, a cidade ficou em estado de alerta, e as equipes de emergência tiveram muito trabalho durante e após a tempestade. Moradores da Brasilândia e de outras áreas afetadas se uniram para ajudar uns aos outros, mas a tragédia que atingiu Rosa deixou uma marca profunda na comunidade, que agora clama por soluções e prevenção para evitar que mais vidas sejam perdidas no futuro.
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