quarta-feira, 21/10/2026

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Moradora da Brasilândia expressou temor de viver em encosta antes de deslizamento fatal

A tragédia que vitimou Rosa Fidelis Gaspar, de 47 anos, em um deslizamento de terra na Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo, traz à tona a realidade alarmante dos riscos enfrentados pelos moradores…

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A tragédia que vitimou Rosa Fidelis Gaspar, de 47 anos, em um deslizamento de terra na Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo, traz à tona a realidade alarmante dos riscos enfrentados pelos moradores de áreas vulneráveis da cidade. Rosa, que havia expressado seu temor de viver em uma região de encosta, morreu soterrada em seu lar após um deslizamento provocado pelas chuvas, um evento que ela já previa há anos.

Em uma visita ao Jardim Paraná, onde Rosa residia, é possível sentir a tristeza no ar. A comunidade, que abriga cerca de 6 mil pessoas, continua a enfrentar os perigos das chuvas, sem soluções efetivas. Cleoneide Lourenço da Silva Tramare, aposentada e moradora do bairro, se emocionou ao relatar a situação: “Meu coração chora… muito difícil”, disse, referindo-se ao clima de medo e insegurança que permeia a região.

Rosa já havia reclamado da precariedade de sua moradia em uma entrevista realizada em janeiro de 2024. Na ocasião, ela explicou que não tinha opção a não ser permanecer ali, mesmo ciente dos riscos. “Porque eu preciso. Porque eu comprei aqui e eu preciso. Eu não tenho outro lugar pra eu morar”, afirmou, revelando a dura realidade de muitos moradores que se veem presos em um ciclo de vulnerabilidade.

Com o deslizamento, que atingiu sua casa em um momento em que ela estava sozinha, a cidade perdeu uma mulher que lutava diariamente contra as adversidades. O deslizamento que causou sua morte resultou na interdição de 11 imóveis na região, um alerta que ecoa em um contexto onde a Prefeitura de São Paulo estima que quase 194 mil moradias estão situadas em áreas de risco geológico.

A gestão municipal, em resposta à tragédia, informou que tem tentado, sem sucesso, realocar as famílias da área. Apesar de oferecer auxílio-aluguel, muitos moradores optaram por permanecer em suas casas. A situação é complexa e reflete uma realidade mais ampla da luta por habitação segura em São Paulo.

O velório de Rosa Fidelis Gaspar será realizado nesta sexta-feira (16), a partir das 13h30, no Cemitério Dom Bosco, em Perus, onde amigos e familiares poderão prestar suas últimas homenagens. A perda de Rosa não é apenas uma tragédia pessoal, mas um triste lembrete da necessidade urgente de políticas públicas efetivas para proteger aqueles que vivem em áreas de risco.