quarta-feira, 21/10/2026

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Policial militar se torna ré na Justiça por morte de mulher durante abordagem na Zona Leste de SP

A Justiça de São Paulo decidiu, nesta segunda-feira (19), aceitar a denúncia do Ministério Público contra uma policial militar, acusada de homicídio triplamente qualificado após a morte de Thawanna Salmázio, de 31 anos, durante…

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A Justiça de São Paulo decidiu, nesta segunda-feira (19), aceitar a denúncia do Ministério Público contra uma policial militar, acusada de homicídio triplamente qualificado após a morte de Thawanna Salmázio, de 31 anos, durante uma abordagem na Zona Leste, no início de abril. A soldado, Yasmin Cursino Ferreira, se tornou ré, enfrentando acusações sérias que incluem motivo fútil, uso cruel de força e a dificuldade de defesa da vítima, que estava desarmada.

Os promotores Rodolfo Justino de Morais e Lucas de Mello Shaefer alegam que o disparo fatal ocorreu em um contexto de desentendimento, quando Thawanna e seu companheiro caminhavam pela rua e foram abordados pela viatura da PM. Após uma discussão acalorada, a policial disparou contra a mulher, atingindo-a no abdômen. Para o MP, a ação foi desproporcional e não havia justificativa para o uso de força letal.

Thawanna, mãe de cinco filhos, ficou agonizando no local por mais de 30 minutos até ser socorrida, tempo considerado pelos promotores como um uso cruel da força, já que não houve qualquer tentativa da policial em prestar auxílio à vítima. A Corregedoria da PM já havia concluído que a soldado teve a intenção de matar, desconsiderando a alegação de legítima defesa apresentada pela policial.

O caso gerou revolta na comunidade e na família da vítima, que clama por justiça. A irmã de Thawanna expressou sua indignação, destacando que a abordagem e o disparo não eram necessários, uma vez que a vítima não representava uma ameaça. As imagens das câmeras corporais dos policiais, que capturaram a ação, revelam contradições nas versões apresentadas pelos agentes, aumentando a desconfiança sobre a conduta da PM.

O ex-ouvidor das polícias de São Paulo, Cláudio Aparecido da Silva, criticou a abordagem realizada, afirmando que o que ocorreu foi uma desinteligência entre os policiais e o casal, e não uma abordagem legítima. Ele também questionou a falta de sinalização da viatura e a ausência do uso de câmeras por parte da soldado envolvida, ressaltando que isso comprometeu a transparência e a responsabilização da ação policial.

Este trágico episódio traz à tona discussões importantes sobre a conduta policial em áreas periféricas e a necessidade de uma reformulação nos protocolos de abordagem, especialmente quando se trata de comunidades vulneráveis. O sentimento de insegurança e desconfiança em relação à polícia é palpável, e a luta por justiça para Thawanna Salmázio é um reflexo da busca por um tratamento mais humano e respeitoso nas relações entre a sociedade e os agentes de segurança pública.

Crédito da imagem: Mulher morre baleada pela PM.