Em um ato significativo na Faculdade de Direito da USP, diversos setores da sociedade se uniram em prol da defesa da Constituição e da democracia. A quatro dias do segundo turno das eleições, o Centro Acadêmico XI de Agosto e a Comissão Arns lançaram um manifesto que já conta com 724 assinaturas, incluindo nomes de peso como ex-ministros do Supremo Tribunal Federal, políticos, professores e artistas.
O documento, intitulado “Manifesto pela Constituição, pela Democracia e pelos Direitos Humanos”, resgata a essência da histórica Carta aos Brasileiros de 1977, reforçando a necessidade de um compromisso coletivo com os princípios democráticos em um momento de incerteza institucional. Os signatários expressam que, apesar de suas diferentes trajetórias políticas, o respeito à democracia é um fundamento que deve prevalecer.
Calixto Salomão Filho, professor na USP, destacou a importância da união em torno dos valores democráticos. Para ele, “há princípios que devem nos unir hoje e sempre: o respeito à Democracia, à Constituição e aos Direitos Humanos”. Já a presidente do Centro Acadêmico, Rita Lara, enfatizou que a participação ativa dos cidadãos é crucial neste período delicado da política brasileira.
O manifesto não apenas defende a Constituição, mas também faz um apelo explícito para que os três Poderes do Estado permaneçam independentes, evitando a concentração de poder. Os signatários alertam que o momento requer vigilância e ação, especialmente em relação a quem pretende assumir a Presidência da República.
Além de personalidades do direito e da academia, o documento conta com a adesão de figuras renomadas como a cantora Daniela Mercury e o jornalista Juca Kfouri, refletindo uma ampla mobilização em defesa da democracia. Essa iniciativa ressoa com o passado, remetendo ao ato de resistência realizado na mesma faculdade durante a ditadura militar.
O manifesto se apresenta como um chamado à ação, reforçando que a participação no processo eleitoral é fundamental para proteger as instituições e reafirmar o compromisso com a ordem constitucional. Com a proximidade do segundo turno, a expectativa é que essa mobilização ressoe entre os eleitores e contribua para um futuro democrático mais sólido.



