Na manhã de quinta-feira (22), a rotina de tranquilidade do Jardim do Lago, na Zona Oeste de São Paulo, foi abruptamente interrompida quando moradores descobriram um corpo em uma área de mata. A vítima, um homem com as mãos e pés amarrados, apresentava cortes no rosto e um saco plástico na cabeça. A Polícia Militar imediatamente registrou o caso como homicídio, que será investigado pelo Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Este é o 21º corpo encontrado na capital paulista desde setembro, acendendo um alerta na comunidade.
Embora o número crescente de cadáveres tenha gerado especulações nas redes sociais sobre a possibilidade de um “serial killer” à solta, a Polícia Civil se apressou em desmentir essa teoria. As investigações apontam que a maioria dos casos está ligada ao crime organizado, com as mortes possivelmente sendo resultado de execuções decididas em “tribunais do crime”, uma prática atribuída ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Em um quadro alarmante, nesta mesma quinta-feira, outro corpo foi localizado na Marginal Tietê. O Corpo de Bombeiros confirmou que a vítima era um homem. Já na madrugada anterior, a Polícia Militar encontrou um corpo dentro do porta-malas de um carro abandonado em Itapecerica da Serra, também apresentando sinais de tortura. Esses episódios se somam a outros dois registrados nos dias anteriores, um deles em uma área de difícil acesso no Tremembé e outro envolvendo restos mortais de uma mulher na Marginal Tietê, que teriam sido abandonados por dois homens.
Os dados da Secretaria da Segurança Pública revelam que os casos de violência extrema são comuns, com muitas vítimas encontradas amarradas, queimadas ou esquartejadas. As investigações indicam que, das 19 ocorrências previamente registradas, quatro ocorreram na Zona Sul, quatro na Zona Leste, três na Zona Norte e duas na Zona Oeste, com outros casos em municípios próximos, como Embu das Artes e Santana de Parnaíba.
Com um perfil das vítimas já delineado, a polícia identificou que a maioria dos mortos tinha antecedentes criminais relacionados a sequestro, roubo, tráfico de drogas e até estupro. Embora haja suspeitos em algumas investigações, a polícia acredita que a maioria dos casos se relaciona a disputas internas do crime organizado, e não a um único assassino serial.
As dificuldades de identificação das vítimas também são um desafio. Técnicas de antropologia e odontologia forense são empregadas para ajudar na identificação, já que nem sempre as impressões digitais são viáveis. A colaboração de familiares e registros dentários são fundamentais nesse processo.
Enquanto a comunidade aguarda respostas e busca entender a gravidade da situação, a polícia continua seu trabalho, determinada a trazer à luz as motivações por trás dessas mortes trágicas e a garantir a segurança da população.


