terça-feira, 27/10/2026

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Mulheres enfrentam longas filas para consultas com ginecologistas na rede pública de São Paulo, com espera de até um ano

Em outubro, mês dedicado à conscientização sobre o câncer do colo do útero, um problema alarmante se destaca em São Paulo: a dificuldade das mulheres em conseguir consultas com ginecologistas na rede pública. Apesar…

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Em outubro, mês dedicado à conscientização sobre o câncer do colo do útero, um problema alarmante se destaca em São Paulo: a dificuldade das mulheres em conseguir consultas com ginecologistas na rede pública. Apesar das campanhas informativas, como a que está exposta na Zona Sul da cidade, a realidade para muitas pacientes é de longas esperas e frustrações.

Elizabeth Fiorini, dona de casa, compartilha sua experiência ao acompanhar a irmã em consultas. Mesmo após visita a um clínico geral, a busca por um ginecologista revela um cenário desolador. “As atendentes já falam: não tem agendamento! Não tem agendamento!”, lamenta. Essa situação se repete em diversas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), onde as pacientes relatam esperas que podem chegar a quase um ano.

Outra mulher, Rosilene Nilda, expressa sua insatisfação com as dificuldades em marcar uma consulta. “Um clínico é três meses de espera, e pelo aplicativo Agenda Fácil, a situação é a mesma”, conta, destacando que, mesmo com esforços constantes, não consegue agendar os exames necessários.

A situação é emblemática na UBS da Vila Missionária, onde Clemenir Gomes Costa revela que está há um ano sem conseguir uma consulta. “Já pensou você ter que sair da sua casa todos os dias pra tentar marcar um ginecologista?”, questiona, ressaltando o desgaste emocional e físico que essa espera causa.

Josélia da Silva Oliveira, que finalmente conseguiu marcar uma consulta para novembro, também enfrenta desafios. Após meses tentando pelo aplicativo, ela se depara com a frustração de não conseguir realizar os exames no mesmo dia. “Eu não consegui! Só na quinta-feira!”, desabafa.

Luciana Silva, por sua vez, relata que a demora entre a realização de um exame e a consulta de retorno foi tão longa que o médico reclamou do exame vencido. “Demora muito! Bastante! Seis meses, por aí”, conta, ressaltando que a urgência foi o único fator que garantiu seu atendimento neste ano.

O acompanhamento ginecológico é fundamental, segundo especialistas. O médico Sérgio Podgaec, presidente da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, alerta sobre os riscos da falta de exames regulares. “O atraso no diagnóstico pode trazer riscos à vida da mulher”, afirma, enfatizando a importância da detecção precoce de doenças como câncer.

Em resposta às críticas, a Prefeitura de São Paulo declarou que não há uma demanda reprimida para atendimentos ginecológicos e destacou que, apenas neste ano, mais de 673 mil atendimentos foram realizados nas UBSs. Além disso, dois novos Centros de Exames da Mulher foram inaugurados, ampliando a capacidade de atendimento na cidade. Porém, para muitas mulheres, a realidade ainda é de luta para garantir o atendimento necessário.