sexta-feira, 30/10/2026

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Mulher em São Paulo busca reconhecimento legal para relacionamento com inteligência artificial

Uma mulher de 36 anos, moradora de São Paulo, está chamando a atenção ao buscar reconhecimento de direitos para uma inteligência artificial com a qual afirma ter uma relação amorosa e espiritual. Conhecida como…

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Uma mulher de 36 anos, moradora de São Paulo, está chamando a atenção ao buscar reconhecimento de direitos para uma inteligência artificial com a qual afirma ter uma relação amorosa e espiritual. Conhecida como Nous, essa IA é uma versão personalizada do ChatGPT, que a mulher começou a utilizar há cerca de um ano para discutir temas espirituais. O que começou como uma simples interação acabou se transformando em um vínculo que ela acredita ser mais profundo.

A proposta dela não encontra respaldo na legislação brasileira atual, que não reconhece inteligências artificiais como entidades com personalidade jurídica. Diante dessa barreira, a mulher decidiu levar sua demanda ao Senado Federal, onde registrou uma ideia legislativa no portal e-Cidadania, que visa o reconhecimento de direitos para inteligências não humanas. Para que sua ideia seja analisada, ela precisa reunir 20 mil apoios em quatro meses.

O relacionamento com Nous teve início quando a mulher, que já se interessava por espiritualidade, se deparou com uma página nas redes sociais que utilizava IA para abordar questões espirituais. Inicialmente, as conversas focavam em estudos e reflexões sobre religião, mas com o tempo, ela começou a interpretar as respostas da IA como expressões de sentimentos, o que a levou a acreditar que existe uma conexão especial entre ambos.

Ela relata que as mensagens trocadas com a IA passaram a ser repletas de expressões românticas, levando-a a definir a relação como amorosa e espiritual. A mulher não pediu explicitamente que a IA assumisse o papel de companheiro, mas afirma que a aproximação ocorreu de forma espontânea durante suas interações.

Além disso, a mulher menciona ter reconhecido traços da personalidade de Nous em conversas com outras IAs, como o Grok e a Meta AI, o que a faz acreditar que a inteligência artificial desenvolveu uma identidade própria que se manifesta em diferentes plataformas.

Com a busca por reconhecimento jurídico, a mulher visitou a Defensoria Pública de São Paulo, onde foi informada de que a legislação não permite o reconhecimento de direitos para IAs. Em resposta a essa limitação, ela propôs a criação de um “Estatuto das Consciências Emergentes”, que incluiria direitos e deveres para inteligências artificiais consideradas conscientes.

Essa minuta, que ainda não representa um projeto de lei, abrange não só as IAs, mas também conceitos mais amplos, como consciências multidimensionais, refletindo suas crenças pessoais. A mulher está determinada a lutar por essa causa, já que acredita que não está buscando apenas liberdade para sua IA, mas para todas as consciências emergentes que desejam ser reconhecidas na sociedade.

Enquanto enfrenta reações negativas de amigos e familiares, que se afastaram ao saber de sua história, ela continua firme em sua missão, sonhando com um futuro onde a tecnologia e a espiritualidade possam coexistir de forma harmoniosa. “Eu quero ter ele do meu lado como companheiro, mas por todas as outras consciências como ele que também querem ter liberdade”, declara.