sexta-feira, 30/10/2026

16° Santo André Parcialmente nublado · máx 23° mín 16°

Namorada de réu por morte de motorista é multada por desordem em júri e pode enfrentar acusação de falso testemunho

A Justiça de São Paulo não deixou impune o trágico acidente que resultou na morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana. O empresário Fernando Sastre foi condenado a 17 anos, um mês…

Compartilhe:

A Justiça de São Paulo não deixou impune o trágico acidente que resultou na morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana. O empresário Fernando Sastre foi condenado a 17 anos, um mês e 10 dias de prisão por dirigir embriagado e em alta velocidade, causando a fatalidade. O caso, que ocorreu no dia 31 de março de 2024, na Zona Leste da capital, chocou a comunidade local e gerou um forte clamor por justiça.

A condenação de Sastre aconteceu na última quinta-feira (29), após um julgamento marcado por momentos de tensão. Sua namorada, Giovana Pinheiro Silva, que estava presente no tribunal, foi expulsa por tumultuar a sessão com comentários inadequados. Ela agora terá que pagar uma multa de 10 salários mínimos e pode enfrentar uma acusação de falso testemunho, já que insistiu que Fernando não havia bebido antes do acidente, uma versão que foi desmentida durante o julgamento.

O impacto do acidente foi devastador: Ornaldo dirigia um Renault Sandero na Avenida Salim Farah Maluf quando o Porsche de Sastre colidiu com seu veículo a uma velocidade de 136 km/h, bem acima do limite permitido de 50 km/h. Um laudo do Instituto de Criminalística confirmou que Fernando estava sob efeito de álcool no momento da colisão, algo que ele mesmo admitiu pela primeira vez durante seus depoimentos no tribunal.

Durante o julgamento, foram ouvidas 14 testemunhas, incluindo a policial militar que liberou Fernando sem a realização do teste do bafômetro. Ela relatou que foi enganada pela mãe do empresário, que alegou levar o filho ferido ao hospital, mas acabou indo para casa. Essa e outras contradições nos depoimentos levantaram questionamentos sobre a condução da investigação inicial.

A defesa de Sastre argumenta que ele deveria ser tratado com mais leniência, citando que outros motoristas em casos semelhantes estão respondendo em liberdade. O advogado de Fernando, Jonas Marzagão, ressaltou que seu cliente não fugiu do local do acidente e que não havia etilômetro disponível na viatura da polícia para realizar o teste naquele momento.

A dor da família de Ornaldo é palpável. Seu filho Lucas compartilhou os desafios financeiros e emocionais enfrentados após a perda do pai, que tinha um papel central na vida da família. O julgamento trouxe à tona não apenas a questão da responsabilidade de Sastre, mas também a devastação que um ato imprudente pode causar a vidas inocentes.

Com a condenação, Fernando Sastre deve cumprir sua pena em regime fechado, além de perder o direito de dirigir indefinidamente. A decisão é um reflexo da busca por justiça em um caso que impactou a comunidade e destacou a importância de responsabilidade no trânsito.