Os moradores da região do Morumbi, na Zona Sul de São Paulo, estão enfrentando um transtorno significativo devido às restrições de acesso impostas pela Live Nation durante os shows da famosa banda sul-coreana BTS, que começam nesta sexta-feira (30). A situação gerou descontentamento entre os que residem nas proximidades do estádio, que agora precisam seguir um processo burocrático para entrar e sair de suas próprias casas.
A Live Nation, em parceria com a Prefeitura de São Paulo, implementou um sistema de controle que exige que os moradores se cadastrem previamente, fornecendo dados pessoais e informações de seus imóveis. Para transitar pelos 12 pontos de bloqueio estabelecidos, tanto a pé quanto de carro, é necessário obter um QR Code e, no caso de veículos, um adesivo de identificação. O cadastro limita o acesso a apenas seis pessoas por residência, com direito a duas entradas ou saídas por dia, o que gerou revolta entre os residentes.
A produtora cultural Thais Aguiar, que reside na área há mais de uma década, expressou sua indignação com a situação. “É um absurdo essa restrição do nosso direito de ir e vir. Antes bastava um comprovante de endereço para a CET nos deixar passar. Agora, temos que enfrentar essa burocracia toda”, desabafou. Ela também destacou a dificuldade de alguns moradores mais velhos, que não têm familiaridade com tecnologia e enfrentam barreiras para acessar suas casas.
Pedro Chaim, outro morador da região, também criticou as exigências da Live Nation, afirmando que não está disposto a fornecer seus dados pessoais a uma empresa privada, e questionou a constitucionalidade das restrições. “Não quero que meus dados sejam vendidos ou usados de maneira inadequada. O direito de ir e vir deve ser garantido”, afirmou.
Em meio a essa controvérsia, o vereador Nabil Bonduki (PT) se posicionou contra as medidas, alegando que representam uma privatização do espaço público e que a prefeitura deveria garantir a privacidade e segurança dos moradores. “Eventos já ocorreram na região sem causar esse tipo de transtorno. Precisamos preservar a liberdade de circulação”, disse.
Por outro lado, a associação de moradores AME Morumbi, que colaborou com a Live Nation, defendeu as medidas como uma forma de organizar o entorno e minimizar aglomerações de fãs sem ingresso. Um diretor da associação, que pediu anonimato, afirmou que a intenção era garantir a segurança e o sossego da comunidade. “A situação está mais organizada e há menos flanelinhas”, ressaltou.
Enquanto os shows do BTS prometem atrair cerca de 85 mil pessoas por dia ao Morumbi, a questão dos bloqueios e o impacto na rotina dos moradores ainda são fontes de tensão. A prefeitura e a Live Nation foram contatadas para comentar a situação, mas não responderam até o momento.



