Uma grande operação desencadeada nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal e pela Receita Federal em Mato Grosso do Sul e outros seis estados do Brasil revelou a complexa estrutura de uma organização criminosa que opera no tráfico de drogas e armas. Este grupo, liderado por três irmãos e com forte presença familiar, utilizava a fronteira sul-mato-grossense como ponto estratégico para escoar suas cargas ilícitas, que vinham da Bolívia, Paraguay e Peru.
A Operação IFRIT, como foi chamada, expôs um esquema bem organizado em que cada membro da família tinha funções específicas, desde a aquisição dos produtos até a logística de transporte e segurança. O objetivo era claro: abastecer o mercado interno brasileiro e, em alguns casos, até o europeu, com drogas que chegavam a países como Espanha e Portugal.
A investigação revelou que a organização não poupava esforços na proteção de seus integrantes. Contando com armamentos pesados, veículos blindados e até drones, o grupo se preparava para enfrentar qualquer eventualidade, além de empregar táticas de contrainteligência para evitar a ação das autoridades. A atuação da facção também levanta preocupações sobre a possível colaboração de agentes públicos, incluindo policiais que teriam fornecido informações privilegiadas.
Um dos alvos da ação é o delegado da Polícia Civil, Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, que já havia sido preso em uma operação anterior relacionada ao crime organizado. A defesa do delegado confirmou que sua residência foi alvo de busca nesta operação, enquanto outro policial civil, Douglas Tobias, também foi mencionado como envolvido nas investigações, mas assegurou estar à disposição para colaborar com a justiça.
O dinheiro gerado pelas atividades criminosas foi movimentado em cerca de R$ 500 milhões nos últimos dois anos, utilizando um esquema elaborado para ocultar a origem dos recursos, por meio de contas de terceiros e empresas de fachada. As investigações indicam que essa rede criminosa atuava de forma estruturada desde 2018, destacando a necessidade urgente de um combate efetivo ao tráfico na região.
Com a mobilização de 450 policiais federais e agentes da Receita Federal, a Operação IFRIT cumpre 76 mandados de busca e apreensão. A ação evidencia não apenas o tamanho do problema enfrentado em Mato Grosso do Sul, mas também a importância da colaboração entre as forças de segurança para desmantelar essas organizações que ameaçam a segurança pública.


