A recente confissão do empresário Fernando Sastre Filho no julgamento que ocorreu na Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo, trouxe novas nuances ao caso da morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, ocorrida em 31 de março de 2024. O empresário, que dirigia um Porsche, admitiu pela primeira vez ter consumido álcool antes de assumir a direção, o que resultou em uma redução de sua pena de mais de 18 anos para 17 anos, 1 mês e 10 dias de prisão.
Ornaldo, de 52 anos, estava ao volante de um Renault Sandero quando o impacto aconteceu. A batida, que foi registrada por câmeras de segurança, expôs a gravidade do acidente. A juíza Melanie Liesenberg decidiu aplicar a atenuante da confissão, reconhecendo que a admissão de Sastre, embora tardia, foi um fator relevante para a diminuição da pena.
No interrogatório que durou cerca de uma hora e dez minutos, Sastre emocionou-se ao falar aos jurados. Ele abandonou a versão anterior em que negava ter ingerido álcool, e confessou: “Confesso, sim, que, no dia dos fatos, eu ingeri bebida alcoólica.” Essa mudança de postura foi fundamental, já que sua defesa inicialmente sustentava que ele não havia consumido nada além de água.
O empresário detalhou que havia tomado dois drinks antes de dirigir e expressou arrependimento por não ter contado a verdade desde o início. “Eu me desculpo a todos aqueles que eu ofendi por não ter dito a verdade”, afirmou, dirigindo-se à família de Ornaldo, a quem ele se referiu com empatia, comparando a idade do motorista à de seu próprio pai.
Durante o julgamento, a defesa de Sastre pediu a desclassificação do caso para homicídio culposo, o que poderia resultar em uma pena muito mais branda. Contudo, o tribunal decidiu manter a acusação de homicídio qualificado. Além disso, a promotoria já anunciou a intenção de recorrer da sentença, buscando uma pena ainda mais severa, alegando que a punição imposta não reflete a gravidade do crime.
O trágico acidente não só tirou a vida de Ornaldo, mas também deixou marcas profundas em seu amigo Marcus Vinicius, que estava no Porsche e sofreu ferimentos graves. O caso levanta questões importantes sobre a responsabilidade ao volante e os efeitos devastadores que a combinação de álcool e direção pode causar.
Enquanto isso, a namorada de Sastre, Giovana, se viu em apuros ao ser expulsa do plenário por comportamento inadequado e pode enfrentar investigações por suposto falso testemunho. A situação em torno desse caso continua a se desenrolar, refletindo os desafios do sistema judicial e a necessidade de justiça para as vítimas.


