domingo, 01/11/2026

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Piso paulista: um patrimônio de 60 anos pode estar ameaçado em São Paulo

As calçadas de São Paulo, que há 60 anos trazem um dos símbolos mais icônicos da cidade, enfrentam um futuro incerto. O piso paulista, criado pela artista Mirthes Bernardes, mais conhecida como Mirtes dos…

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As calçadas de São Paulo, que há 60 anos trazem um dos símbolos mais icônicos da cidade, enfrentam um futuro incerto. O piso paulista, criado pela artista Mirthes Bernardes, mais conhecida como Mirtes dos Santos Pinto, se tornou um elemento essencial da identidade visual da capital, mas sua preservação não está garantida.

O piso, que representa o contorno do estado de São Paulo, foi introduzido durante a gestão do prefeito Brigadeiro Faria Lima, entre 1965 e 1969, como parte de um esforço para modernizar a imagem da cidade. Inspirando-se em ícones urbanos como o calçadão de Copacabana, a proposta visava estabelecer um símbolo que pudesse rivalizar com o famoso calçadão carioca. No entanto, enquanto o piso de Copacabana recebeu proteção patrimonial, o piso paulista permanece desprotegido, sem reconhecimento formal e sem um programa de preservação.

Desde a sua criação, o piso passou por transformações e adaptações. Originalmente feito com pedras portuguesas, sua versão mais recente em ladrilho hidráulico se popularizou pela acessibilidade de custo, mas essa mudança também levanta questões sobre a qualidade e a conservação do padrão. A gestão de Paulo Maluf, na virada dos anos 70, substituiu parte do piso original por ladrilho, alegando problemas de manutenção e acessibilidade, mas essa decisão acabou por sacrificar um marco da cultura local.

Hoje, as calçadas da cidade apresentam um quadro preocupante. Muitas têm ladrilhos soltos ou quebrados, criando barreiras para pedestres e, especialmente, para aqueles com mobilidade reduzida. O padrão que deveria ser uma característica destacada de São Paulo se vê comprometido pela falta de manutenção e pela substituição por materiais mais simples, como o concreto, que, apesar de atender às normas de acessibilidade, apaga a memória visual da cidade.

Pesquisadores alertam para o risco real de extinção do piso paulista, que já perdeu sua versão original em pedra portuguesa e agora enfrenta um futuro incerto em ladrilho hidráulico. A responsabilidade pela manutenção das calçadas recai sobre os proprietários de imóveis, que muitas vezes optam por soluções mais baratas ao invés de preservar esse importante símbolo cultural.

Em declarações, a Prefeitura de São Paulo confirmou que o piso não é tombado e que não existe um programa específico de preservação. Sem incentivos e com a falta de uma política pública voltada para a conservação do piso paulista, o futuro desse marco cultural da cidade parece ameaçado, deixando em dúvida se as próximas gerações poderão ainda testemunhar a beleza do desenho que simboliza o estado de São Paulo nas calçadas da capital.

Crédito da imagem: Piso paulista vai desaparecer?