Uma tragédia abalou a comunidade da Mooca, na Zona Leste de São Paulo, quando a pequena Alice Vitória, de apenas um ano, faleceu após complicações em uma cirurgia no Hospital Salvalus, pertencente à rede Hapvida. A menina foi levada pela mãe, Leticia Ferreira, para realizar um procedimento de gastrostomia, essencial para a sua alimentação devido a uma síndrome que dificultava a deglutição. O que deveria ser uma internação breve para a cirurgia se transformou em um pesadelo que culminou na morte da criança, três dias após seu primeiro aniversário.
Segundo Leticia, a internação estava prevista para durar cerca de uma semana, mas logo após a cirurgia, a saúde de Alice se deteriorou. Ela enfrentou broncoespasmos que a mantiveram intubada na UTI e, quando parecia melhorar, uma sutura se rompeu, levando a uma nova cirurgia e a uma série de complicações, incluindo paradas cardíacas. A certidão de óbito aponta como causas da morte sepse com foco pulmonar e insuficiência respiratória aguda.
A situação de Alice não é um caso isolado. A Polícia Civil abriu um inquérito para investigar seis mortes de crianças no Hospital Salvalus, todas com idades entre zero e três anos. As investigações apontam para infecções hospitalares que podem ter contribuído para essas trágicas perdas. A assistente jurídica Eduarda Fragnan Gomes, que representa mães que perderam seus filhos em cirurgias no hospital, afirma que são pelo menos 19 famílias afetadas nos últimos seis meses.
Em um desabafo emocional, Leticia compartilhou sua experiência angustiante. “Não tinha noção de que tantas mães poderiam estar passando pelo mesmo. A falta de informação do hospital dificultou a compreensão do que estava acontecendo com minha filha”, lamentou.
A defesa das famílias cobra uma investigação minuciosa e responsabilização por eventuais falhas na assistência médica. “Queremos justiça e respostas sobre o que realmente aconteceu”, declarou a assistente jurídica. O Hospital Salvalus, por sua vez, afirmou que investiga os relatos com seriedade e que cada caso tem suas particularidades, sem uma origem infecciosa comum identificada até o momento.
A dor da perda é intensa e, para Leticia, o sentimento de culpa também é uma realidade. “A gente se culpa por coisas que não tem culpa. Esperamos que a justiça seja feita”, concluiu. O caso de Alice e de tantas outras crianças levanta questões preocupantes sobre a segurança dos pacientes em hospitais, e a comunidade aguarda respostas e responsabilizações.


