A Operação Ifrit, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (4), trouxe à tona um escândalo envolvendo uma organização criminosa com laços no tráfico internacional de drogas e armas em Mato Grosso do Sul. Entre os alvos da ação estão um haras de luxo e seis fazendas que somam mais de 5 mil hectares, além de mansões, veículos de alto padrão e até lanchas. Ao todo, o patrimônio bloqueado pela Justiça ultrapassa R$ 500 milhões.
O superintendente da PF no estado, Carlos Henrique Cotta Dangelo, revelou que a investigação aponta para uma família que, há mais de dez anos, vem atuando no tráfico, especialmente na região de fronteira entre Brasil e Paraguai. Essa organização não apenas importava drogas e armas de países vizinhos, mas também utilizava informações privilegiadas de agentes de segurança pública para facilitar suas operações. “É triste ver que, em alguns casos, servidores públicos estavam envolvidos, fornecendo dados sigilosos em troca de dinheiro e bens”, lamentou Dangelo.
A PF identificou movimentações financeiras que superam R$ 500 milhões em apenas dois anos, utilizando contas de doleiros e empresas de fachada para ocultar a origem dos recursos. Além disso, foi descoberto que parte das drogas comercializadas pela organização vinha de apreensões feitas pelas próprias forças de segurança, o que evidencia a gravidade da infiltração criminosa nas instituições.
A operação teve abrangência nacional, com mandados sendo cumpridos em diversos estados, como Santa Catarina e São Paulo, e envolveu a apreensão de armamentos de alto calibre, como fuzis e metralhadoras. Segundo a PF, a violência era uma ferramenta comum do grupo para garantir o controle do território, envolvendo sequestros e homicídios.
Entre os investigados, destacam-se nomes de policiais civis e um policial rodoviário federal que supostamente colaboravam com a organização. “Estes agentes facilitavam o acesso a drogas apreendidas e informações que beneficiavam o crime”, explicou o superintendente. Apesar do forte impacto da operação, Dangelo enfatizou que a família investigada não é a única a atuar na fronteira, mas sim uma das várias facções que operam na região.
Outro ponto alarmante é a inclusão de um delegado da Polícia Civil, suspeito de desviar duas toneladas de cocaína, utilizando sua posição para alterar a qualidade da droga e vender a versão adulterada. Este delegado, já preso anteriormente, teve sua prisão preventiva reafirmada durante a Ifrit.
As investigações continuam e os envolvidos podem ser responsabilizados por uma série de crimes, incluindo organização criminosa e tráfico de drogas. A população de Mato Grosso do Sul observa com apreensão o desenrolar dessa situação que revela a complexidade e a profundidade do crime organizado na região.


