sábado, 24/10/2026

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Sou da Paz registra 92 casos de CACs associados a facções criminosas no Brasil em uma década.

Um estudo revelador do Instituto Sou da Paz trouxe à tona uma realidade alarmante: entre 2016 e outubro de 2026, 92 casos de envolvimento de colecionadores, atiradores desportivos e caçadores (CACs) com facções criminosas…

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Um estudo revelador do Instituto Sou da Paz trouxe à tona uma realidade alarmante: entre 2016 e outubro de 2026, 92 casos de envolvimento de colecionadores, atiradores desportivos e caçadores (CACs) com facções criminosas foram registrados no Brasil. Esses dados, acessados pelo g1, mostram como a legalidade pode ser distorcida para abastecer o crime organizado.

De acordo com a pesquisa, muitos desses casos envolvem membros de facções que utilizam os registros de CAC para adquirir armas de forma legal, apenas para desviá-las para atividades ilícitas. Bruno Langeani, consultor sênior do Sou da Paz, explica que há padrões preocupantes: “Pessoas com registros já existentes ou que foram recrutadas por facções adquirem armas e munições legalmente, mas as repassam para criminosos.” Em outros casos, integrantes de grupos criminosos obtêm registros falsos para comprar armamentos.

As investigações revelam que 21 estados foram afetados, com destaque para São Paulo, que lidera o número de registros, seguido por Espírito Santo e Rio de Janeiro. As facções mais citadas incluem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), além de milícias e grupos de extermínio.

Um exemplo alarmante é o caso de Leonardo Felipe Panono Scupin Calixto, conhecido como Léo Bode, que é apontado como uma liderança do Comando Vermelho e está foragido. Documentos indicam que ele possuía registros de armas válidos, e armamentos apreendidos foram encontrados em seu nome.

A pesquisa não se limita a um só lugar; casos semelhantes foram detectados em várias partes do país. Em Minas Gerais, por exemplo, a Operação Ludibrio investigou um empresário que usava documentos falsos para se tornar CAC e abastecer o PCC. Na Paraíba, uma operação chamou a atenção ao prender integrantes da facção Okaida que se faziam passar por CACs para adquirir armamentos.

O levantamento também destaca a atuação de empresários envolvidos em esquemas de venda de armas a facções, como Eduardo Bazzana, preso por suspeita de fornecer armamento ao Comando Vermelho. O estudo revela que esses casos são apenas a ponta do iceberg, e o número real pode ser ainda maior, uma vez que apenas casos tornados públicos foram considerados.

Com o aumento da legalidade para a aquisição de armas, especialmente durante o governo anterior, o cenário se tornou ainda mais complicado. O atual governo já começou a reverter algumas dessas medidas, mas os desafios permanecem. A fiscalização passou a ser responsabilidade da Polícia Federal, mas muitos crimes ainda exigem a atuação das polícias civis estaduais.

Os dados coletados pelo Sou da Paz indicam não apenas um crescimento em número, mas também uma diversificação nos grupos envolvidos, incluindo novas modalidades de crime organizado. Com a situação se agravando, é fundamental que as autoridades adotem medidas eficazes para conter esse avanço e proteger a sociedade.

Crédito da imagem: Alvo usado por CACs em estande de tiro em São Paulo